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Sexta-feira, Dezembro 23

A Vitória de Macunaíma


Desde pequenos aprendemos que devemos pensar o mundo como se ele fosse um fruto. Distinguir o que é casca do sumo, a semente da carne para só ingerirmos o que nos serve como alimento. E assim fazermos como todas as coisas. A noção de separarmos o que nos é útil é de capital importância para nos tornarmos independentes, responsáveis e auto-suficientes. Mas o que ocorre com aquilo que foi preterido é assunto nebuloso e secundário, como se o que não permanecesse diante dos olhos simplesmente não existisse e não fizesse mais parte da realidade. E assim adquirimos a noção que estabelece o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é mal, numa rigorosa dicotomia que dita o código da sociabilidade. Algumas coisas são importantes e outras absolutamente não são. Dessa forma nascem os jargões, os pressupostos não discutidos, os clichês e os ditos populares. Uma dessas idéias preconcebidas diz que na hora que uma turma de meninos quer formar dois times para jogar futebol, vai para o gol o menos habilidoso. Como se o fator determinante para alcançar a vitória estivesse apenas nos pés do talentoso craque. Ganha quem fizer o maior número de gols. Parece lógico que o jogo se decide por pura matemática. E dessa forma surgiram as lendas que escreveram na história a biografia dos maiores jogadores. Quase sempre atacantes, artilheiros e eventualmente defensores com rara habilidade. Pouquíssimos goleiros se é que há de fato crédito para algum. A histórica vitória do São Paulo sobre o Liverpool é ainda mais espetacular porque se deu de modo ímpar, inusitado. A falsa impressão de que o resultado final não refletiu o teor do combate serve apenas como argumento para aqueles que não são capazes de compreender a riqueza sutil que contou a história do embate que antagonizou duas escolas tão distintas, e ainda respingou na realidade do triunfo resquícios de preconceitos coloniais. O fato de a atuação dos brasileiros aparentemente não ter sido representativa das características habituais do futebol foi, pelo contrário, a maior e mais surpreendente demonstração da nossa infinita capacidade de se camuflar para fugir da obviedade. Foi uma atuação impecável que só não foi percebida por aqueles que têm os olhos míopes e não conseguem enxergar o fenomenal desempenho que desenhou esse júbilo magistral e heróico. Vencer a escola inglesa com a superioridade mínima é a prova cabal de que a malícia é a marca mais expressiva do infinito brilho dos futebolistas brasileiros, mesmo sofrendo a infame pirataria que continuam praticando os europeus com seu manancial de dinheiro que nos rouba comprando nossos craques.
O gol único que marcou o São Paulo não poderia ter sido mais representativo da delicadeza de nossa habilidade. Em 3 toques a bola chegou aos pés de Mineiro, o antivitoriano, o avesso da anemia da tez dos lordes ingleses, o nosso Macunaíma derrubando a empáfia disritmica de uma defesa que se julgava impenetrável. A maestria de seu toque retílineo e curvo, um risco ilusório onde a bola transformou a realeza dos notórios gramados ingleses num pastinho sertanejo de capim e mato, num alegórico arremate mortal disparado pela chuteira zarabatana do descendente de escravos que ludibriou a metódica lógica dos representantes do estereótipo dos homens mais assexuados, um vagalume que brilhou tão simples em pleno lusco-fusco e assim derrubou diante de bilhões de telespectadores a hipocrisia dos falastrões mercenários que não sabem que a graça do futebol está na cintura, nos quadris, na ginga.\r\nE restou a eles a crueldade de acumular tentativas infrutíferas que fizeram saltar aquele que é aparentemente o antípoda da vitória: o goleiro. Para requinte do deleite dos torcedores sobrou a assombrosa presença de Rogério Ceni, atuando como o mais intransponível guardametas. Ele, o goleiro artilheiro, o impetulante jogador que é o avesso do atual perfil do profissional que não ama um distintivo, sobrou no campo de tal forma que obrigou a todos os seus detratores a silenciarem diante de seu périplo singular, estampando o silêncio ruidoso que guardou durante 12 anos e de forma exemplar, até poder gritar seu novo nome : TRICAMPEÃO!!
por Nando Reis

Quarta-feira, Dezembro 14

Nota rápida.

É de se achar, pelo menos, estranho que nenhum time rebaixado tenha reclamado de ter caído de divisão. Qualquer time de tradição como o Atlético Mineiro, da Série A, e o Criciúma, da Série B, teria reinvidicado a permanência na divisão por conta da máfia do apito, que sujou o Campeonato Brasileiro. Pode ser que o velho "tapetão" esteja por vir, mas a esperança é que esses clubes que foram rebaixados tenham adquirido consciência suficiente pra saber que futebol se resolve dentro do campo e por isso não tenham reclamado de nada. Difícil dizer, esperamos notícias em breve.

por Thiago Bezerra

Quase surpreendido!




Em jogo "feio", o São Paulo derrotou o Al-Ittihad por 3x2, com destaque para o atacante Amoroso. Quem pensava que o jagador iria amarelar por ter assinado um pré-contrato com um time japonês, frustou-se ao ver a grande qualidade que o jogador apresentou na partida. Pode-se dizer que o tíme árabe não é lá grande coisa e que o tricolor paulista era o grande favorito para a partida. Porém o Al-Ittihad suspreendeu ao empatar a partida no final do segundo tempo. Isso demonstra que o São Paulo está muito nervoso em uma competição em que a tranquilidade pode ser o fator crucial para a vitória da equipe. Falha do treinador não ter feito nenhuma alteração efetiva frente aos chutões e passes errados, principalmente da defesa, da equipe brasileira. Resta saber se depois do espetáculo por veterano Amoroso, a diretoria irá mesmo deixar o jogador ir embora por conta de alguns trocados...

por Thiago Bezerra